Ana Mª Pereira (Porco-da-Índia, Canadiana, Srª Bouvier… como queiras),
Cheguei a casa, estive na praia. São, exactamente, 21h 14 min 05 segs. Vi o sol pôr-se para voltar a nascer amanhã. Amanhã… amanhã, dia que marca os teus 15 anos.
Feliz, sim, eu hoje sinto-me feliz. Sinto que a felicidade é relativa. Sinto que há muita gente a dizer-se feliz. Sinto que grande parte dessa mesma gente não conhece a felicidade a que me refiro. Felicidade interior. Felicidade exterior. Felicidade pura e calma.
Feliz por, felizmente, ter-te feliz. Feliz por, felizmente, seres das poucas pessoas que, a meus olhos, persistem verdadeiras em qualquer circunstância. Feliz por, felizmente, seres tu própria. Feliz porque, felizmente, és uma das (raras) pessoas a quem confio toda a minha amizade.
Daqui a algumas horas, vai amanhecer em meio mundo, mas o sol só vai nascer para ti. As ondas vão levar consigo o mar gelado da manhã para arrastar o areal húmido para perto de si, numa festa fervorosa. E será por entre todos os grãozinhos de areia que deve estar um, e apenas um, capaz de nele conter todas as lembranças e recordações que me fazem, hoje, feliz. Lembranças imensas que marcaram todo este tempo juntas. Pequenos momentos de que, possivelmente, já nem nos lembramos, mas que não esquecemos pois são certamente esses mesmos pedaços das nossas vidas que nos preenchem e confortam a tempo inteiro.
Sente-se uma brisa leve de verão. Poderosa, capaz de fazer arrepiar tanto quem se encontra deitado no escaldante areal como quem navega por entre a espuma das ondas já rebentadas. Ondas já rebentadas… como a amizade que acaba por murchar, esquecida, daqueles que têm sede de amor. Amizade, não; relacionamentos descartados por aquele a quem se teima em chamar de “amigo”. São essas situações que, agora, a mim me causam repúdio. Agora, depois de sentir como é ter-te lado a lado, independentemente das situações por que passamos. Agora, depois de saber o que é ter um “amigo do peito, amigo irmão, amigo de fé, igual a eu e você”. Porque foste dos poucos que me mostraram como um gesto, simples, pode ser muito mais sentido do que muitas das frases já vulgarizadas por quem as diz sem ter em conta o seu sentido real.
Escrevo, reflicto. Sinceramente, comecei este texto com a ideia de só escrever as primeiras duas linhas. É incrível como sinto que podia passar dias em frente ao monitor e a anotar pensamentos numa folha velha de papel só para fazer nascer um texto bonito, que todos admirassem ler… Mas para quê? O tempo não me ia chegar, estou agora a esforçar-me para ler os gatafunhos já borrados que tão à pressa escrevi à segundos atrás. Tiro e meto os óculos, franzo a testa com um ar míope para desmistificar o que há tão pouco tempo queria, à força, cair no esquecimento. Essa é outra razão que me leva a escrever este texto sem pés nem cabeça: não haverá ninguém capaz de imaginar todos os momentos contigo passados que, quando revividos, me deixam uma lágrima ao canto do olho, todas as palavras e frases que quando lembradas me deixam com uma forte vontade de voltar ao tempo em que foram proferidas, todos os carinhos e verdades feitos e ditos na altura certa, tudo… hoje, tudo parece querer contribuir de forma significante para a felicidade que já sinto em mim desde que voltei da esturra calor cerrado da praia.
Olho para a janela, sei que são as estrelas tapadas pelas nuvens de uma noite de verão são as primeiras a ler estas palavras desengonçadas que para ti aqui escrevo. Elas sabem que, na verdade, todas estas palavras se resumiam a 3. Quanto a mim, três das palavras mais ditas, usadas e gastas em todo o mundo. Interrogo-me sobre se haverá mais alguém a dirigi-las a um verdadeiro amigo, neste exacto momento, em todo o mundo… não serei a única, são certamente milhões a dizê-las. Contudo, sei e acredito de que desses milhões apenas uns poucos poderão dize-las a um verdadeiro amigo, a um amigo verdadeiro. Amigos assim não há muitos e ainda bem, é isso que os torna únicos. Eu sou uma sortuda por saber que és um deles; por isso, junto essas palavras sinceras e dirijo-tas com gratidão.
Adoro-te. Obrigada. Parabéns.
São neste momento, 22h 58min 15segs. Li e reli vezes sem conta cada frase escrita. Tentei adivinhar qual a tua reacção quando leres este texto tão cheio de carinho, que de texto tem tão pouco.
Lembra-te, serão as nuvens que ainda há instantes espreitavam a minha janela que verão o dia nascer, as estrelas vão deixar o sol brilhar em toda a sua plenitude e o vento soprará uma leve brisa de verão… assim vai nascer outro dia amanhã… amanhã... o teu dia.
Parabéns.
Mª Beatriz Morgado
(mando-te isto e o meu relógio marca as 00h 05min 07segs)
7/8/09
"I will never let you fall, I'll stand up with you forever"